A ORIGEM DO PAPADO – CONTINUAÇÃO

O bispo monárquico era uma espécie de garantia da unidade na constituição da Igreja.
Necessidades práticas e teóricas levaram à exaltação da posição do bispo em cada igreja, chegando ao ponto de as pessoas o virem e o reconhecerem como superior aos outros presbíteros os quais seu ofício fora relacionado em tempo do Novo Testamento.
A necessidade de uma liderança para enfrentar os problemas da perseguição e da heresia foi uma necessidade prática que acabou por ditar o aumento do poder do bispo. O desenvolvimento da doutrina da sucessão apostólica e a crescente exaltação da Ceia do Senhor foram fatores fundamentais neste aumento de poder. Foi mais um pequeno passo para o reconhecimento de que os bispos monárquicos de algumas igrejas eram superiores aos outros. A elevação do bispo monárquico em meados do segundo século originou o reconhecimento da honra especial devida ao bispo monárquico da igreja em Roma.

Muitas outras circunstâncias aumentaram ainda mais o prestígio do bispo de Roma. O argumento inicial mais importante, apresentado desde cedo na história da Igreja, foi o de que Cristo deu a Pedro, presumivelmente o primeiro bispo de Roma, uma posição de primazia entre os apóstolos em função da sua suposta designação de Pedro como rocha sobre a qual edificaria a Sua Igreja (Mateus 16.18). Segundo Mateus 16.19, Cristo deu Pedro as chaves do reino dos céus e depois o comissionou especialmente para apascentar seu rebanho (João 21.15-19). Deve se ter em mente que, na narrativa de Mateus, Cristo usava duas palavras para rocha, não se especificando se a roca sobre a qual disse que edificaria a Sua Igreja era Pedro. Cristo chamou Pedro de petros ou pedra, ma Ele estava falando da rocha sobre a qual edificaria a Sua Igreja como petra, um rocha. A palavra “pedra”, aplicada a Pedro, é de gênero masculino, mas a palavra “rocha”, sobre a qual Cristo disse que edificaria Sua Igreja é feminino. Há boa razão para se crer que a interpretação correta é que Cristo estava, com a palavra “rocha”, se referindo à confissão petrina de Jesus como sendo “o Cristo, o filho do Deus vivo”.

Deve-se lembrar ainda que Cristo disse que Pedro o abandonaria na crise do jardim, que Satanás o derrotaria (Lucas 22.31-32) e que Cristo teve que exortá-lo a cuidar do seu rebanho após a ressurreição e até de perdoá-lo por O ter traído. Acrescente-se, ademais, que os poderes semelhantes aos mencionados em conexão com Pedro em Mateus 16.19 foram também conferidos aos outros apóstolos (João 20.19-23). Mesmo Pedro em sua primeira carta deixa cristalinamente claro que, não Ele, mas o Cristo era o fundamento da Igreja (1Pedro 2.6-8). Paulo não concebia Pedro como tendo posição de superioridade, tanto que não hesitou em repreendê-lo quando este contemporizou e cooperou com os judaizantes na galácia.

Apesar destes fatos, a igreja romana insiste desde tempos antigos que Cristo deu a Pedro um lugar especial de primeiro bispo de Roma e de líder dos apóstolos. Cipriano contribui muito para a sedimentação desta idéia ao afirmar a superioridade da sé romana sobre os outros lugares eclesiásticos de autoridade.

Maior prestígio adviria ao bispo romano por Roma estar ligada a muitas tradições apostólicas. Pedro e Paulo sofreram em Roma o martírio por causa de sua fé. Como os dois eram os líderes principais da igreja primitiva, não é de se admirar que a igreja e o bispo de Roma tivessem um prestígio maior. A igreja em Roma fora o centro da primitiva perseguição pelo estado romano movida por Nero em 64. A mais longa e talvez a mais importante das epístolas de Paulo foi dirigida a esta igreja. Das igrejas cristãs, ela era, por volta do ano 100 uma das maiores e uma das mais ricas. O prestígio histórico de Roma como a capital do império levou a uma natural elevação da posição da igreja da capital. Tinha ela a reputação por sua firme ortodoxia na luta contra a heresia e as divisões. Clemente, um dos primeiros líderes da Igreja, não escreveu à Igreja em Corinto para exortá-la a uma unidade centralizada na pessoa do bispo? Muitos Pais da Igreja ocidental, como Clemente, Inácio, Irineu e Cipriano destacaram a importância da posição do bispo e, no caso de Cipriano, do bispo de Roma. Embora todos os bispos fossem iguais, honra especial deveria ser dada ao bispo romano encarregado da cadeira de São Pedro. Embora todos os bispos estivessem em uma linha de sucessão apostólica dos bispos desde o próprio Cristo, Roma merecia honra especial, porque, cria-se, seu bispo continuava a linha sucessória desde Pedro.

Recorde-se que alguns dos cinco bispos mais importantes da Igreja perderam seu cetro de autoridade por várias razões. A partir de 135, quando a destruição de Jerusalém pelos romanos, o bispo de Jerusalém deixou de ser contado como um rival do bispo de Roma.
O bispo de Éfeso perdeu prestígio quando a Ásia foi sacudida pelo cisma montanista do segundo século e quando o bispo de Roma, ao findar do século, excomungou o bispo de Éfeso e as igrejas da Ásia.

Ao final do período, três coisas sobre a igreja católica antiga tinha se tornado claras realidades. Foi a aceita a doutrina da sucessão apostólica, que relacionava todos os bispos a uma ininterrupta ligação com Cristo através dos apóstolos; em cada igreja um bispo se elevava assim dos presbíteros como bispo monárquico. O bispo romano passou a ser reconhecido como o primeiro entre os iguais devido a importância do peso da tradição relacionada a sua cadeira. Esta primazia foi depois desenvolvida para uma supremacia do bispo romano como PAPA da igreja. Sucessão apostólica na hierarquia, como uma garantia contra o cisma e para promover unidade, foi desenvolvida por Clemente, Inácio e Irineu. A hierarquia conforme Inácio e Irineu, seria a melhor defesa contra a heresia e promoveria a verdadeira doutrina.

O Cristianismo Através dos Séculos – Uma História da Igreja Cristã, capítulo 10.

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Published in: on março 22, 2009 at 12:57 am  Deixe um comentário  

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