Agostinho versus Pelágio Para uma Análise do Modernismo de Nossos Dias

Para Pelágio todo homem é criado livre como Adão, tendo, portanto, capacidade de escolher entre o bem e o mal. Cada alma é uma criação individual de Deus, não herdando por isto a contaminação do pecado de Adão. A universalidade do pecado no mundo é explicada pela fraqueza da carne humana e não pela corrupção da vontade humana pelo pecado. O homem não herda o pecado original de seu primeiro pai, embora os pecados das pessoas da geração passada enfraqueçam a carne da geração atual, razão porque os pecados são cometidos, a menos que as vontades individuais cooperem com Deus no processo da salvação. A vontade humana é livre para cooperar com Deus na conquista da santidade e para poder usar os instrumentos da graça como a Bíblia, a razão e o exemplo de Cristo. Como não há pecado original, o batismo infantil não é um elemento essencial à salvação.

Agostinho (354-430), o grande bispo de Hipona, se opôs ao que le cria se uma negação da graça de Deus e afirmava que a regeneração é uma obra exclusiva do Espírito Santo. O homem foi feito originalmente à imagem de Deus e livre para escolher o bem e o mal, mas o pecado de Adão atingiu a todos os homens, porque Adão era o pai da raça. A vontade do homem está totalmente corrompida pela queda, razão porque ele pode ser considerado totalmente depravado e incapaz de usar a sua vontade no que diz respeito ao problema da salvação. Cria Agostinho que todos herdam o pecado através de Adão e que ninguém pode fugir ao pecado original. A vontade do homem é tão limitada que ele nada pode fazer por sua salvação. A salvação vem somente para os eleitos através da graça de Deus em Cristo. Deus pode revitalizar a vontade humana para que aceite a Graça que Ele oferece àquele que Ele elegeu para a salvação.

O problema levantado por Pelágio e Agostinho permanece perene na Igreja Cristã. O modernismo de nossos dias é apenas um ressurgimento da idéia pelagiana de que o homem pode realizar a salvação pela cooperação com a vontade divina através de seus próprios esforços. A questão reside em saber se o cristianismo é um problema de moral ou de religião, se da vontade livre do homem ou da graça de Deus, se de um desenvolvimento do caráter pela cultura ou pela conversão que torna possível este desenvolvimento, se matéria das forças racionais do homem ou da revelação de Deus. A Igreja esteve sempre mais próxima de Agostinho do que de Pelágio ou João Cassiano (propôs idéia semelhante à de Pelágio), embora as doutrinas da Igreja Medieval neste ponto sejam semelhantes ao semi-pelagianismo proposto por João Cassiano.

O Cristianismo Através dos Séculos – Uma História da Igreja Cristã, capítulo 12.

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Published in: on maio 3, 2009 at 5:49 pm  Deixe um comentário  

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