A PREDOMINÂNCIA DO BISPO ROMANO

 

 (A origem e desenvolvimento do poder papal na Igreja Católica Romana)

 

Entre 313 e 590, a Igreja Católica Antiga, em que cada bispo era um igual, tornou-se a Igreja Católica Romana, em que o bispo de Roma tinha supremacia sobre os outros bispos. O ritual da Igreja tornou-se também mais sofisticado. A Igreja Católica Romana reflete, em suas estruturas e leis canônicas, a Roma Imperial.

 

Na Igreja primitiva, o bispo era considerado um dos muitos iguais entre si em posição, autoridade e função. No período compreendido entre 313 e 590, o bispo romano passou a ser reconhecido como o primeiro entre os iguais. A partir, porém, da ascensão de Leão I ao trono episcopal em 440, o bispo romano começos a reivindicar a supremacia sobre os outros bispos. A necessidade da eficiência e de uma melhor coordenação gerou naturalmente a centralização do poder. O bispo era também considerado como o penhor da doutrina ortodoxa. Além do mais, alguns dos bispos romanos deste período eram homens jovens que não deixavam passar nenhuma oportunidade que pudesse aumentar o seu poder.

 

Os acontecimentos históricos desta época cooperaram para intensificar a reputação do bispo de Roma. Roma era o centro tradicional de autoridade para o mundo romano durante meio milênio e era a maior cidade do Ocidente. Depois que Constantino transferiu a capital do Império para Constantinopla em 330, o centro de gravidade política oscilou de Roma para essa cidade. Isto deixou o bispo romano como a única pessoa forte de Roma durante muito tempo; o povo dessa região passou a olhá-lo como o líder temporal e espiritual caso uma crise lhe sobreviesse. Foi ele a força que, durante o saque de Roma em 410 por Alarico e seus seguidores visigodos, com sua hábil diplomacia, conseguiu salvar a cidade do fogo. Em Constantinopla, o Imperador parecia estar distante de Roma e de seus problemas, mas o bispo, por sua proximidade, era o único que podia exercer um poder efetivo na solução de crises políticas e espirituais. Quando o trono imperial no Ocidente caiu nas mãos dos bárbaros depois de 467, e outras cidades italianas se tornaram a sede do poder temporal, o povo da Itália via o bispo romano como a liderança política e espiritual.

 

Grandes teólogos como Cipriano, Tertuliano e Agostinho foram figuras de destaque da Igreja Ocidental que estiveram sob a liderança do bispo de Roma. O senhorio do bispo não teve que enfrentar problemas, como polêmicas heréticas que dividiram o Oriente, como é o caso do arianismo. Ademais, o bispo de Roma convocava sínodos em que conseguia manter uma posição que ficaria estabelecida como a posição ortodoxa.

 

A eficiente obra missionária dos monges leais a Roma também fortaleceu a autoridade do bispo romano. Clóvis, o líder dos francos, foi convertido ao cristianismo em 496 e tornou-se um grande defensor da autoridade do bispo de Roma. Gregório I enviou Agostinho à Inglaterra; este monge, junto com os seus sucessores, conseguiu trazer a Bretanha de volta ao seio de Roma. Onde quer que fossem os monges missionários insistiam junto aos seus convertidos para que obedecessem ao bispo de Roma.

 

Leão I (400-c.461), que ocupou i trono episcopal entre 440 e 46, foi o mais hábil ocupante da cadeira antes de Gregório I (c.540-604) que a assumiu em 590. Sua capacidade deu-lhe o título de “grande”. Ele usou muito o título papas, de onde vem a nossa palavra “papa”. Em 452, conseguiu persuadir Átila o Huno a deixar a cidade de Roma. Novamente em 455, quando Genserico e seus seguidores vândalos do norte da África chegaram para saquear Roma, Leão persuadiu-os a isentar a cidade do fogo e da pilhagem; ele teve que concordar, entretanto, que a cidade fosse entregue por duas semanas para ser saqueada pelos vândalos. Genserico manteve sua palavra, e os romanos viram em Leão aquele que salvara a cidade da destruição completa. Sua posição foi ainda mais fortalecida quando Valentino III reconheceu sua supremacia espiritual no Ocidente através de um edito promulgado em 445. Leão sustentava que as apelações das cortes eclesiásticas de bispos deviam, ser levadas à sua corte e que as decisões seriam definitivas. Ele definiu a ortodoxia em seu trono e escreveu contra a heresia dos maniqueus e donatistas. Mesmo não considerando Leão o primeiro papa, é legítimo dizer que ele pretendeu e exerceu o poder mais do que muitos ocupantes posteriores do bispado de Roma. Gelásio I, papa de 492 a 496, escreveu em 494 que Deus dera ao paca e ao rei os poderes sacro e secular. Porque o papa tinha de prestar contas a Deus no dia do Julgamento, pelo rei, o poder papal era mais importante que o poder real. É possível que este poderio tenha sido útil neste primeiro período do relacionamento com os bárbaros, mas levou, mais tarde, à corrupção dentro da própria Igreja Romana.

 

 

O Cristianismo Através dos Séculos – Uma História da Igreja Cristã, capítulo 15.

 

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Published in: on maio 5, 2009 at 9:45 am  Deixe um comentário  

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